Resultado da fomação em Côcos-BA

Eis mais um resultado da formação em interpretação e produção de vídeos da Rede Anísio Teixeira, com foco na história local. Após o período de exercícios práticos e de pesquisas para a produção audiovisual, durante a construção do roteiro já dava para perceber que o filme resultante revelaria fatos ainda não conhecidos pela maioria dos coquenses. O roteiro trazia a história em volta de um sítio arqueológico descoberto por acaso, durante a construção de uma rodovia, no município de Côcos, fronteira com Minas Gerais. Ao chegar no local, conduzidos pelo professor Fábio Barros (História), fomos impactados pela beleza do lugar que, de fato, precisa ser cuidado e preservado. Vimos e registramos inscrições gravadas nas rochas que podem ter sido feitas há muitos anos e isso precisa ser investigado por autoridades competentes no assunto. Ali, fizemos tomadas incríveis, passando a ser, o lugar, o protagonista. Filme pronto e divulgado: os estudantes e professores se viram e aprovaram. Foi uma festa!

 

Se nada mais tivesse acontecido, nós da Rede Anísio Teixeira, como professores-formadores já estaríamos satisfeitos com a ampliação do conceito de leitura, tão necessário para as intervenções críticas que precisamos fazer, ainda mais diante de tanta manipulação da grande mídia. Nem todos em Côcos sabiam da existência do espaço escolhido para as gravações, muito menos sobre a importância histórica e cultural daquela região que precisa passar por estudos.

Visite a Plataforma Anísio Teixeira para mais vídeos.
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Cotidiano – a série.

Olá, pessoal!

Pra quem ainda não conhece, eis a série Cotidiano, da TV Anísio Teixeira, cujos episódios foram pensados pelos professores da Rede Anísio Teixeira e teve a participação de estudantes da rede pública, atuando ao lado de atrizes e atores baianos. Os estudantes foram preparados pelo Curso de Interpretação e Produção de Vídeos Estudantis, oferecido pelo IAT/Rede AT. Os episódios foram gravados em 2014 e foram ao ar pela TVE Bahia, com várias reprises, ao longo dos últimos 3 anos. Atendendo a pedidos, vou colar aqui as janelas da série que estão abrigadas na página da TV Anísio Teixeira, que por sua vez faz parte do grande repositório de mídias digitais livres, a saber, o Ambiente Educacional Web. Coordenar a série foi, sem dúvida, a maior experiência profissional dos últimos 10 anos, pois tive a oportunidade de me deixar pensar pelas tecnologias – parafraseando Lévy  (1992, p. 6) -, nesse caso as tecnologias de produções audiovisuais, com toda a sua materialidade. Foram meses de pesquisa para os temas que selecionamos. As pesquisas geraram argumentos, escaletas e roteiros, pensados para servirem como disparadores de muitas possíveis discussões em sala de aula, sobre muitos conteúdos, incluindo os temas transversais.

O fato de contarmos com estudantes no elenco da série contribuiu para algumas correções nas falas das personagens, para que tudo parecesse o mais natural possível. Em geral, por fazermos parte de outra geração, não raro escrevíamos frases estruturadas em um português que não faz parte da vida dos mais jovens. Estes, diversas vezes, sugeriram alterações e nós, prontamente, as acatamos. O resultado pôde ser conferido pela TVE e ainda pode ser visto no Ambiente Educacional Web. A série Cotidiano possui 23 episódios que relacionam o conhecimento científico ao dia a dia das pessoas e faz parte do programa Intervalo da TV Anísio Teixeira.Ei-los!

Flor da Palavra

CONTEÚDO(S): Literatura, teatro, poesia, paródia. OBJETIVO(S): Valorizar o estudo da literatura, aproveitando o potencial artístico e criativo dos estudantes. Neste episódio, o professor de Literatura assiste às lúdicas apresentações dos estudantes, com poemas de Augusto dos Anjos e Roberto Mendes, incluindo uma paródia de Navio Negreiros, de Castro Alves, em ritmo de RAP e uma dramatização de Gabriela, de Jorge Amado.


Quanta Pressão!

CONTEÚDO(S): O conceito de “pressão” na Física e suas aplicações. OBJETIVO(S): Apresentar o conceito de “pressão”, da Física e a polissemia do termo, em outras situações. Neste episódio, o professor Júlio pergunta à turma o que é pressão, obtendo dos estudantes várias conexões com a palavra. O estudante Daniel exemplifica, falando do mutirão que foi feito pra bater a laje de sua casa, mostrando as imagens no celular. Ali, o conceito aparece tanto no peso da laje a ser sustentado, quanto no uso da panela de pressão pro feijão sair mais rápido, passando pela pressão psicológica de sua mãe e de sua irmã pra ele ajudar na cozinha.


Que Chute!

CONTEÚDO(S): Efeito Magnus; coordenadas cartesianas; função do 2°grau; parábola; gênero; estrangeirismo. OBJETIVO(S): Contribuir para que os estudantes percebam que alguns conteúdos de Matemática, Física, Inglês e Sociologia aparecem cotidianamente nos esportes, a exemplo do futebol, com seus termos aportuguesados; discutir a importância do cumprimento de regras e da disciplina para um bom desempenho de qualquer evento que se venha a realizar. Neste episódio, Serjão marca um gol cuja curva descrita pela bola é explicada pelas leis da Física (efeito Magnus). Os jogadores do time adversário vão pra cima da árbitra, por ser mulher, mas Serjão, um machão convicto, a defende. Jana fica admirada com essa atitude.


Que Maresia!

CONTEÚDO(S): Corrosão, ferrugem, óxido de ferro, oxirredução, metal de sacrifício, ação da urina nas estruturas de ferro. OBJETIVO(S): Exemplificar, na prática, como ocorre a corrosão em diferentes materiais. Refletir sobre o hábito de fazer xixi nas colunas dos viadutos.  Neste episódio, Rafa (do episódio “Dia de Feira”) e Kely gravam um vídeo na laje da casa de Daniel (do episódio “Quanta Pressão”) sobre a ação da maresia sobre as estruturas metálicas. Os pais de Daniel dão entrevista a Kely. Eles, também, abordam a corrosão provocada pelo péssimo hábito de se fazer xixi em postes e pilares dos viadutos. Os estudantes exibem o vídeo na aula de Química.



Pela Porta Mágica

CONTEÚDO(S): Efeito fotoelétrico, modelo atômico de Bohr, vetores, campo gravitacional, centro de massa, preconceito. OBJETIVO(S): relacionar o conhecimento científico com situações do cotidiano; discutir sobre preconceito social. Neste episódio, dois estudantes ficam curiosos sobre o funcionamento da porta automática de um shopping center.  Um dos seguranças, gentilmente, lhes dá a explicação, enquanto um outro se aproxima, desconfiado, sobre um segway.


Revelando a História

CONTEÚDO(S): Técnicas de revelação fotográfica, óxido-redução, óptica; imagem em movimento, persistência da retina. OBJETIVO(S): Integrar conhecimentos através de atividades interdisciplinares. Neste episódio, o professor Arnaldo propõe atividades interdisciplinares para a Feira de Ciências. Um grupo de estudantes decide falar de seu tema (Canudos) por meio de imagens, já que um dos integrantes, Anderson, é filho de um fotógrafo. Este leva os estudantes ao laboratório e explica todo o processo de revelação.


Respeito é Bom

CONTEÚDO(S): Prática de bullying na escola; os vários tipos de bullying; propostas de medidas socioeducativas. OBJETIVO(S): Refletir sobre a prática do bullying em geral, principalmente nas escolas. Refletir sobre as possíveis causas de tal comportamento. Propor medidas socioeducativas para os agressores. Neste episódio, Júnior é intimidado por colegas para fazer trabalho escolar. O professor Dilton (do episódio “É Ouro”) percebe o movimentação e orienta Junior a procurar a direção da escola. Os pais da vítima são convocados e uma série de medidas são tomadas.


Salvador Salve a Cor

CONTEÚDO(S): arte de rua: grafite, hip-hop, arte rupestre, crop circles, writers, monumentos históricos. OBJETIVO(S): retratar as diversas manifestações artísticas, em especial o grafite. Neste episódio, os estudantes questionam o grafite como arte. Com a ajuda da professora de Arte e do professor de Geografia visitam lugares e discutem sobre o tema.


Línguas pra Quê?

CONTEÚDO(S): O papel das línguas estrangeiras na sociedade; a diferença entre tradução e versão. OBJETIVO(S): Problematizar o ensino/estudo das línguas estrangeiras. Neste episódio, os estudantes, no laboratório de informática, têm a tarefa de construir um blog sobre a cultura brasileira. A professora propõe que façam uma pesquisa prévia sobre elementos da nossa cultura, em outras línguas. Um estudante descobre que a letra de Asa Branca em inglês difere muito da versão original e acaba encontrando outra versão, em inglês, feita por Raul Seixas. Outra estudante, que não se dá muito bem em Inglês, encontra uma motivação para estudar línguas.


Artista ou Artesão?

CONTEÚDO(S): Diferença entre artista e artesão; artesanato; apreciação estética. OBJETIVO(S): Fomentar a discussão sobre arte, artesanato e apreciação estética. Neste episódio, a professora de Arte leva os estudantes ao Centro Histórico de Salvador, para um contato direto com o fruto do trabalho de artistas e artesãos.


É X ou Y?

CONTEÚDOS: Cromossomos; a determinação do sexo do bebê atribuída à mulher de ontem e de hoje. OBJETIVOS: Problematizar a situação na qual a mulher aparece como “culpada” por não dar aos maridos bebês do sexo masculino; compreender a organização dos cromossomos. Neste episódio, Teo espera a notícia de que Vera, sua esposa, esteja grávida de um menino, mas o resultado do exame revela o decepciona. Jana dá apoio à mãe. Mais tarde, realizando sua pesquisa escolar, encontra dados sobre o rei Henrique VIII que se casou seis vezes e mandou executar 2 de suas esposas por não terem lhe dado herdeiros do sexo masculino. Jana leva a questão para a sala de aula. A professora Sonia, de Biologia, ajuda a turma a compreender a matemática da combinação dos cromossomos.


O Que Vai Ser pra Comer?

CONTEÚDO(S): A importância de uma dieta balanceada; anorexia; bulimia. OBJETIVO(S): Incentivar o consumo de alimentos saudáveis; problematizar a imposição midiática do corpo perfeito e a prática de dietas desassistidas, como possíveis causas de distúrbios alimentares. Neste episódio, a professora de Arte fala dos padrões de beleza da Renascença, como sinônimo de saúde, após a Peste Negra. Na sala, a estudante Claudine passa mal, por não se alimentar direito.


Lá em Cuba, Cá no Brasil

CONTEÚDO(S): Socialismo x Capitalismo; contrastes entre Brasil e Cuba. OBJETIVO(S): Apresentar as diferenças entre o Socialismo e o Capitalismo. Neste episódio, os estudantes Juan e Sirlene apresentam suas pesquisas na aula de Sociologia, da professora Ivana. Sirlene conta o que aprendeu sobre Cuba, o país de Juan e este fala de Sirlene, que veio do Ceará. Durante a apresentação, contrastes são evidenciados entre os dois países.


Se Plantando, Tudo Dá Certo

CONTEÚDO(S): Reciclagem. OBJETIVO(S):Disseminar e debater sobre processo de reciclagem. Reciclagem de garrafa PET, horta escolar, alimentação e saúde, pedagogia de projetos. Neste episódio, estudantes apresentam pesquisa sobre reciclagem de garrafas PET na aula de biologia. Claudine (de Que Vai Ser pra Comer?), Jana (de Que Chute!) e Jean conversam sobre os resultados obtidos com uma dieta saudável. Os três vão à diretora pedir apoio para a fazerem uma horta na escola, utilizando as garrafas PET. Os estudantes pedem ajuda ao professor Hugo (de Flor da Palavra) para escreverem um projeto. A professora de Química contribui com orientação sobre compostos orgânicos.


Mistura na Pele

CONTEÚDO(S): A função da pintura corporal na cultura indígena. OBJETIVO(S): Estimular pesquisas sobre arte e costumes de nossas populações indígenas. Neste episódio, na aula de Química, a professora Jack solicita aos estudantes as pesquisas sobre mistura e fase.  Ronaldo fez diferente: em vez de pesquisar a mistura das tintas industriais, como previsto, preferiu pesquisar a pintura corporal indígena e conta à turma o que descobriu. A professora Jack convida Arnaldo, professor de História, para organizar uma feira de arte indígena na escola, a pedido dos estudantes.


O Que Cai do Céu

CONTEÚDO(S): Astronomia, Big Bang, estrutura da Terra. OBJETIVO(S): Refletir sobre o criacionismo e o evolucionismo, como formas de ver o mundo. Neste episódio, os estudantes Sirlene e Juan – que é cubano – estudam juntos sobre a formação do universo. Juan explica a Sirlene o que diz a Ciência sobre a questão. Sirlene indaga qual o lugar da fé.


Água pra Viver

CONTEÚDO(S): Poluição dos rios e mares; consumo consciente da água. OBJETIVO(S): Fomentar a discussão sobre o consumo consciente da água e da despoluição dos mananciais. Neste episódio, Cacau e suas amigas desistem de tomar banho de mar, por causa da poluição. Na escola, apoiadas pelo professor, fazem pesquisa sobre a poluição no Dique do Tororó e apresenta projeto na Feira de Ciências.


Álcool ou Gasolina?

CONTEÚDO(S): Teor de álcool na gasolina; adulteração de combustível; poluição. OBJETIVO(S): Refletir sobre a poluição; conscientizar sobre a adulteração de combustíveis. Neste episódio, Bruno acompanha um teste realizado em um posto de combustível para se verificar a quantidade de álcool na gasolina. De volta à escola, compartilha com a turma o que descobriu. Fala também de poluição e de meios de transporte alternativo.


Esse Lixo É de Quem?

CONTEÚDO(S): As consequências do descarte indiscriminado do lixo. OBJETIVO(S): Promover reflexões sobre o descarte de lixo nas vias públicas, os alagamentos e as doenças consequentes desse péssimo hábito. Neste episódio, os estudantes caminham pelas ruas da cidade e observam o acúmulo de lixo nas vias e canais, como atividade extraclasse. Com a chuva, o resultado não poderia ser outro: alagamentos, doenças. Eles, então, decidem organizar uma palestra para falar de leptospirose e outras doenças, colocando em prática o que aprenderam na escola.


Dia de Feira

CONTEÚDO(S): Misturas, odores e sabores da feira livre. OBJETIVO(S): Apresentar a feira livre como um espaço onde se pode vivenciar a Química, a Matemática e a Sociologia entre as demais disciplinas do currículo escolar. Neste episódio, Rafa visita a feira livre, em companhia de seus pais, para realizar uma atividade escolar sobre misturas, olfato, paladar e outros temas.


Caindo na Rede

CONTEÚDO(S): Usos do Ambiente Educacional Web. OBJETIVO(S): Apresentar formas de utilização do Ambiente Educacional Web, por professores. Neste episódio, na sala dos professores, o professor Cassiano – que tem recebido elogios dos estudantes – apresenta aos colegas as formas de acessar o Ambiente Educacional Web, o repositório de conteúdos digitais livres.

O poder da mídia ontem e hoje

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Fig.1: Ilustração de Henrique Alvim Corrêa para  o livro A Guerra dos Mundos. Marciano lutando contra o navio de guerra Thunder Child. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Fighting_machine_(TheWaroftheWorlds)#/media/File:Correa-Martins_vs._Thunder_Child.jpg

Estamos na era das mensagens instantâneas, com piadas e charges facilmente identificáveis como fictícias, mas com muitas outras mensagens de teor ficcional tomadas como verdadeiras. Mas por que levamos a sério essas mensagens? Simplesmente pelo fato de serem construídas nos moldes utilizados pelos meios de comunicação, que conferem credibilidade ao que está sendo compartilhado nas redes sociais.

E desde sempre as coisas são assim. Exemplificando e começando pelas coisas mais simples, nós mesmos recorremos ao testemunho de uma outra pessoa para confirmar alguma história que estamos contando a alguém. Não é assim? Dizemos: pergunte a fulano. E se esse fulano for uma pessoa idônea, nossa história terá o devido respaldo. Infelizmente, muitos desses fulanos tendem a confirmar nossas histórias, mesmo sem tê-las testemunhado. Isso pode se dar devido a laços de amizade ou por outros interesses. Até nos tribunais há quem jure dizer a verdade, com a mão sobre a Bíblia, mesmo ciente da mentira. Desse modo, inocentes são condenados, e culpados libertos, a depender dos homens da lei envolvidos no processo. Diante de sistemas assim, alguns preferem lavar as mãos, como fez Pilatos.

Quanto ao testemunho da imprensa escrita, radiofônica e a televisada, a “verdade” é, naturalmente, consumida pela grande maioria de seus seguidores, mesmo que as “pontinhas soltas” sinalizem questionamentos a serem feitos. Assim, dizemos: deu no rádio… li no jornal… vi na televisão e, portanto, tudo pode ser verdade. Aliás, será que é por essa razão que alguns acrescentam “só repassando”, quando reenviam certos textos cujo respaldo parece estar faltando? Isso os exime da responsabilidade sobre aquilo que passam adiante? Pois uma mentira, em formato jornalístico, por exemplo, pode destruir civilizações inteiras.

Considerando que assim é, se uma mídia utilizada para anunciar fatos verídicos vier a misturá-los com ou substituí-los por ficção, dificilmente o público perceberá a farsa, a menos que se anuncie, previamente, do que se trata. Foi o que aconteceu em 1938, nos Estados Unidos.

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Fig.2: Manchete do New York Times de 31/10/1938 sobre o pânico causado pelo programa ficcional de rádio levado a sério pelos ouvintes. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_drama)#/media/File:WOTW-NYT-headline.jpg

Naquele ano, Orson Welles adaptou para o rádio a obra A Guerra dos Mundos de Herbert George Wells, lançado em capítulos em 1897 e, em livro, em 1898. A história trata da invasão de marcianos inteligentes à Terra. O drama radiofônico foi apresentado ao público em formato de boletim de notícias, interrompendo outro programa que estava no ar. No início da transmissão foi anunciado que se tratava de uma obra de ficção, mas os ouvintes que ligaram o rádio depois de iniciado o programa não ouviram o tal aviso. Resultado: houve pânico generalizado e colapso de todas as centrais telefônicas, devido à imensa quantidade de chamadas para a polícia, bombeiros e para a própria emissora de rádio. As ruas e estradas ficaram congestionadas, com pessoas tentando fugir da área invadida pelos marcianos e foram inúmeros os depoimentos dos que viram e ouviram as naves marcianas e seus ocupantes. Hipnose coletiva? Não duvido. Clique aqui para ver um doc sobre isso.

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Fig.3: Orson Welles reunido com repórteres, em uma tentativa de explicar que nenhum dos envolvidos na transmissão do drama radiofônico tinha ideia do pânico que causaria. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_drama)#/media/File:Orson_Welles_War_of_the_Worlds_1938.jpg

O curioso é que, 3 décadas depois, a peça radiofônica de Orson Welles foi reescrita para o ano de 1968. Você diria: ah, mas a essa altura, todos já saberiam de que se tratava de uma obra de ficção. Errou. Aconteceu a mesma coisa, claro que numa proporção menor, já que o número de ouvintes tinha diminuído. De acordo com a Wikipedia, apesar das exaustivas chamadas anunciando a peça radiofônica de 1968, muitos acreditaram nos boletins e na cobertura jornalística (ficcional) que a todo instante interrompiam a programação musical do horário. O criador dessa versão, Jefferson Kaye, e o diretor Danny Kriegler chegaram a pensar que seriam demitidos, tal foi a confusão criada, que chegou a envolver até a força armada canadense, um jornal e vários oficiais da polícia local, além dos telefonemas de ouvintes assustados, todos crendo que a invasão alienígena era real.

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Fig.4: Placa comemorativa da famosa transmissão radiofônica, em West Windsor. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_drama)#/media/File:Landingsite_statue.JPG

Isso ilustra muito bem a força que têm os meios de comunicação. Se nesses casos aqui descritos não havia a intenção de atingir as pessoas, imaginemos o que seria se tudo fosse intencional!  Com esse mecanismo, derrubam-se governos legítimos e sustentam-se farsas e farsantes. Não é à toa que a mídia carrega o rótulo de 4º Poder.

Que possamos usar essa força para a Paz.

Feliz 2017!

Geraldo Seara
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

REFERÊNCIAS:
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Guerra_dos_Mundos_(livro)
https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_drama)
https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_1968)

Vai de Inglês no Enem?

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Fig. 1: A bunch of printed Wikipedia books, on a variety of topics Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:WikiProject_Wikipedia-Books

Olá, pessoal! Vamos avançar um pouco mais nos estudos de língua estrangeira? Eu sei que muitos de vocês dominam as estruturas básicas da língua e que, quando somadas ao monte de palavras que nos cercam, nos dão a sensação de já termos aprendido o suficiente.

De fato, usamos muitos termos estrangeiros no nosso cotidiano que vão desde o “xis” do X-men ao wifi do vizinho. Assim, vamos surfando na vida e na net e, se pintar dificuldade, um tradutor online pode resolver o problema. Mas esse fato – o de vivermos rodeados dessas palavras (algumas aportuguesadas) –, não nos garante um bom desempenho na prova de inglês. Algumas delas nos darão pistas, mas é preciso muito mais.

Na verdade, precisamos, mesmo, é praticar leituras no idioma alvo. Pra começar, podemos partir de notícias sobre fatos conhecidos ou temas da atualidade, tais como ciências, meio-ambiente, economia e política. É uma boa ideia ficarmos atentos às informações divulgadas nos diversos meios de comunicação. Para exemplificar, lembro da alegria que senti, ao ver na minha prova do vestibular um texto sobre um assunto que eu tinha lido, dias antes. Embora o inglês da prova estivesse em um nível mais avançado, eu pude identificar o tema já pelo título: Sudden Infant Death Syndrome. A transparência das palavras cognatas e a lembrança do assunto ajudaram bastante, mas outros conhecimentos e habilidades foram decisivos nas questões que seguiam o texto. Na ocasião, eu não conhecia muitas palavras, mas reconhecia infant, death e syndrome. Essas informações somadas ao que eu já sabia da síndrome me levaram a inferir o significado de sudden. Logo, só podia se tratar da Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI).

Não foi difícil interpretar o texto, nem algumas das questões voltadas para o conhecimento gramatical, pois sabendo que, em inglês, o adjetivo vem antes do substantivo, pude deduzir que não era apenas uma syndrome: era uma death syndrome. E, como há várias síndromes mortais, era preciso especificar que era uma infant death syndrome. E como esta ocorria de modo repentino, uma sudden infant death syndrome. Notem que cada palavra destacada modifica o trecho anterior.

Encontrei um texto parecido com o do meu vestibular, na Wikipedia. Destaquei o trecho que trata de possíveis soluções para se evitar a SMSI. Ao mesmo tempo, o referido parágrafo nos permite ver o uso de duas formas da língua: gerund (ing form) e infinitive. ATENÇÃO: nem sempre ing indica que o verbo está no present continuous.

Muitas vezes, os textos vêm acompanhados de gravuras que podem ajudar na compreensão. Nesse caso, o que a gravura sugere? A frase que acompanha a imagem está de acordo com uma possível solução para o problema?

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Fig. 2: Baby in a safe sleep Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Sudden_infant_death_syndrome

[…] The most effective method of preventing SIDS is putting a child less than one year old on their back to sleep. Other measures include a firm mattress separate from but close to caregivers, no loose bedding, a relatively cool sleeping environment, using a pacifier, and avoiding exposure to tobacco smoke.

Não se assuste se o texto pareceu muito estranho. Esta é uma boa oportunidade para você saber se você está se enganando, estudando sempre as mesmas estruturas, ou se está, de fato, buscando desafios maiores.

Veja como ficam traduzidos os verbos na forma ing:

The most effective method of preventing SIDS is putting a child less than one year old on ther back to sleep. Tradução livre: A melhor maneira de evitar a SMSI é botar a criança de menos de um ano de idade para dormir de barriga para cima.

Mas quando usar o infinitivo com to? E quando usar a ing form?

Sobre esse assunto indico uma das aulas de Inglês do Emitec:

e os sites (em inglês):
https://en.wikipedia.org/wiki/Gerund
http://web2.uvcs.uvic.ca/elc/studyzone/410/grammar/gerinf.htm

Bons estudos e até a próxima vez!

Geraldo Seara

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Preconceito não!

Apesar de tantos apelos, ainda convivemos, diariamente, com situações de preconceito explícito que não deveriam mais existir. A Rede Anísio Teixeira tem se empenhado na produção, catalogação e difusão de conteúdos que, entre outros alcances educativos e educacionais, possam promover reflexões sobre a nossa formação etnorracial, sobre as questões de gênero e de inclusão. Essas questões podem ser percebidas nos programas e séries produzidos e nos demais conteúdos digitais catalogados no Ambiente Educacional Web.

Dada a possibilidade de caminharmos por vários dos Territórios de Identidade da nossa terra, temos tido o privilégio de ver e ouvir outros modos de ser e de contar histórias, desfazendo mitos e preconceitos. Aliás, sobre isso, durante o período que passamos em Olivença, setembro passado, para o Seminário e Caminhada Caboclo Marcelino, gravamos um videoclipe para a música Preconceito Não, composta pelo estudante Carlos Alberto Pereira de Araújo Junior, da Escola Indígena Tupinambá de Olivença. O vídeo acaba de sair do forno e já consta na lista de professores para uso pedagógico! Parabéns aos integrantes de Banda JM.

 

Curso de interpretação para os Tupinambá

Desembarcamos nas terras do sul da Bahia para um grande encontro. Na bagagem, planos de aula e equipamentos de captura de imagem e som. Na cabeça, histórias que os livros ainda contam, com os recortes de quem manipula os fatos. Como de todo encontro ninguém sai o mesmo, tanto nós quanto eles desfizemos essas histórias únicas e perigosas, como nos adverte a escritora africana Chimamanda Adichie. Nossa bagagem voltou mais cheia.Voltamos nutridos de uma outra História, bem diversa daquela que certas mídias perpetuam. Formamos atores e eles nos formaram colaboradores.

Depois de uma semana de exercícios intensos de interpretação, na hora de escolher qual história gravar, os Tupinambá não tiveram dúvida. Foi assim que o Caboclo Marcellino surgiu, contrastando as páginas dos jornais locais que, desde 1936, insistem em contar uma única versão. Agora, de posse dos recursos audiovisais, mais pessoas podem se informar sobre o herói nativo da terra que, pelo fato de saber ler e escrever, foi considerado bandido, um perigo até para o seu próprio povo. Durante o tempo da perseguição, ao ver seus parentes mortos e torturados para que informassem o seu paradeiro, o Caboclo Marcelino se entregou. Hoje, ninguém sabe o seu paradeiro. Foi essa a história que quiseram contar. E contarão muitas mais… O A TARDE Educação fez questão de tratar do assunto. Veja aqui.

Aqui vai o making of do processo de formação e produção:

E, aqui, o resultado final: